Se a Educação de Teresópolis Fosse Nossa

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Plenária sobre a Educação

Realizada na sede do SEPE-Teresópolis
SE A EDUCAÇÃO DE TERESÓPOLIS FOSSE NOSSA

Educadores, estudantes, sindicalistas, profissionais da saúde, enfim, todos (as) aqueles
preocupados com os rumos da educação se reuniram neste domingo, 24 de julho, na sede
do SEPE-Teresópolis (Sindicato dos Profissionais de Educação do Estado) para mais um
encontro do fórum de debates “Se Teresópolis Fosse Nossa”. Desta vez o debate centrou-
se na Educação no município.
O Evento foi divido em dois grandes momentos. No primeiro, construiu-se coletivamente um panorama da cidade a partir das contribuições e experiências dos presentes. Ali se pôde ver os principais problemas e virtudes do município. À luz desta elaboração, o segundo
momento serviu para a tessitura de diversas propostas para a cidade.
Durante as considerações sobre a conjuntura local, descobriu-se que, apesar do EJA na
cidade possuir materiais elaborados pelos professores munícipes, não é este o quadro
geral. Os materiais didáticos estão descolados do conteúdo curricular e das condições
locais e muitos professores sentem os livros antes como limitantes do que como verdadeiro apoio à atividade pedagógica. Estes materiais, em especial o livro didático, são escolhidos de acordo com os interesses das editoras e não da comunidade escolar. Destacou-se também o fato de que nas formações de professores não se debate o sentido do livro didático como instrumento pedagógico.
O debate foi enriquecido pelas compreensão das condições estruturais. As escolas de
Teresópolis reproduzem a lógica do presídio em suas instalações e, ao que tudo indica, não
estão preparadas arquitetonicamente para a educação inclusiva.
Noutra ponta, o debate sobre o currículo revelou que os debates sobre gênero, presentes
em qualquer debate sobre a sociedade brasileira hoje, foram retirados da construção do
Plano de Educação do Município. Verificou-se que há pouca autonomia das comunidades
escolares para a construção de seus currículos.
Inadequado também é o tratamento dado ao plano de carreira dos profissionais municipais.
A Secretaria de Educação Municipal não age com transparência sobre as informações e
direitos presentes no plano. Como exemplo, foi citada a quantidade máxima de licenças
concedidas para a formação continuada. O valor é muito baixo e ninguém consegue saber
ao certo quantas licenças foram concedidas. Enfim foi dito que o Plano é limitado e não
valoriza suficientemente o servidor público da educação.
Por fim, houve um extenso debate sobre os modelos pedagógicos adequados à educação
infantil. Prefere-se o ensino integrado à produção de arte e de cultura, ligado às
experiências subjetivas dos estudantes, a este modelo disciplinar e autoritário, surgido nos
idos do séc. XVIII. Este modelo atual é chato e desinteressante e compromete a criatividade
dos estudantes em formação.
A conclusão inicial foi que a educação do município padece em um modelo educacional que desconsidera as identidades locais, não é pensado para a autonomia, subjuga-se ao
mercado e não valoriza o profissional da educação.
A segunda parte do encontro serviu para propor ideias para a transformação da educação
na cidade. O norte das propostas é autonomia. Vimos que é necessário consolidar a
autonomia das escolas, dos estudantes e dos profissionais da área, e se propôs que isso se faça através de debates públicos permanentes nas escolas, fazendo delas lugar de
deliberação e de decisão sobre seu projeto político pedagógico e sobre os rumos da
educação na cidade. Este momento deve incluir pais, estudantes, funcionários, enfim, toda
a comunidade escolar. O que se espera é garantir mais liberdade a estudantes e
profissionais da área e uma relação mais horizontal entre os diversos membros das
comunidades escolares.
Não há meios de garantir a autonomia e a democratização da educação se a valorização do
profissional da área e a sua formação forem negligenciadas. O diálogo com as
universidades e a formação continuada dos profissionais da área é fundamental. Espera-se
que o número de professores com pós-graduação aumente sensivelmente nos próximos
anos.
Espera-se redimensionar a identidade local nos currículos sem perder de vista que a
educação precisa formar para a pluralidade, diversidade e universalidade. Isto exige uma
revisão da política educacional voltada para a produção de índices.
A escola autônoma precisa, outrossim, se integrar à arte e à cultura. Tanto ela pode se
tornar equipamento de cultura para sua localidade, quanto ela própria deve ser produtora e criadora de arte. Essa integração arte, cultura e educação precisa ser radical.
Por fim, a grande conclusão é a de que se faz necessário rever o atual modelo educacional.
É preciso transformá-lo em um modelo educacional que integre realmente a arte e a cultura aos processos pedagógicos, que valorize amplamente os profissionais da área e que
produza instituições horizontais e realmente democráticas.


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