Se Teresópolis Fosse das Juventudes

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SE TERESÓPOLIS FOSSE NOSSA

No último fim de semana de Agosto o fórum de debates “Se Teresópolis Fosse Nossa”
reuniu muitos jovens na plenária sobre juventude. Havia jovens de todas as idades. Todos
preocupados com as políticas que as juventudes são capazes de promover e com aquelas
destinadas a eles. O evento produziu uma grande mistura de classes, etnias, perspectivas.
O evento conseguiu ser o que deve ser: um momento de diálogo horizontal e democrático
em que as críticas à cidade e as propostas de solução foram construídas coletivamente. O
debate de ideias não foi a única atração. Muita música e alguma poesia, combinados à
cantina popular em funcionamento, deram o tom adequado a um assunto tão instigante e
ao mesmo tempo delicado. Este belo encontro constatou em Teresópolis importantes
dilemas para as juventudes. Se por um lado, a cidade recebe muitos jovens de mais idade,
procurando descanso e tranquilidade, de outro, ela produz uma vida cultural pulsante nas
praças do centro e dos bairros. A política para os jovens tem sido, todavia, a de reprimir
suas manifestações, criando um sentimento de “estado de sítio” para as juventudes. Este
encarceramento da criatividade é acompanhado de repressão policial, especialmente nos
bairros mais pobres do município. Os espaços da cidade são mal aproveitados. Parece não
haver lugares para cultura ou lazer. A cidade não foi projetada para a juventude. Este
sentimento é sentido nas políticas para a educação e para o trabalho. Não há
universidades públicas e menos ainda possibilidades de acesso à trabalho qualificado e
bem pago. Neste sentido é também urgente que hajam cursos técnicos públicos, como o
CEFET e abertura do CEDERJ no município. O acesso à renda pelos jovens se agrava
porque não existem programas para jovens sem experiência profissional e, mesmo no
momento da seleção para o trabalho, as juventudes são vítimas de toda a sorte de
preconceitos. Falta de saneamento básico, vielas e servidões descuidadas, ruas sem
iluminação, esgoto à céu aberto, além da proximidade com o comércio ilegal, são as várias
formas de violência a que os bairros expõem a juventude da cidade. A sensação é
torturante para as juventudes de Teresópolis, especialmente para a parcela mais pobre. Há
pouquíssimos lugares para sua arte, as escolas não estão atentas aos condicionantes
sociais e criam um ambiente torturante esquecendo-se de sua vocação para trabalhos
sociais. A cidade não oferece lugares em que os jovens possam se reunir, isto é,
Teresópolis não oferece as condições para o desenvolvimento pleno de sua juventude.
Inúmeros projetos e ações, tanto para o poder público, quanto para os diversos cidadãos
empenhados em produzir uma cidade mais justa, apesar deste cenário nem tranquilo,
tampouco favorável foram concebidas. Vamos a eles: As comunidades poderiam receber
projetos de diversão, cultura e lazer nas favelas, especialmente para atender às crianças
dos bairros, tais como cursos de violão e de manejo de instrumentos musicais ou oficinas
de Rap, de Teatro e Saraus. Nelas também deveriam acontecer cursos técnicos e
profissionalizantes, como cursos de gastronomia, sempre acompanhados de um trabalho
vocacional para identificar as principais virtudes das pessoas do local. Este trabalho
interdisciplinar envolveria ações das escolas e dos CRAS e, em alguns casos, em parceria
com as empresas particulares locais. As comunidades poderiam receber projetos ligados
ao Esporte. A começar pelas escolas, os bairros precisam ser equipados com estruturas e
profissionais para fomentar a prática esportiva. Projetos de Jiu-Jitsu e de outras artes
marciais, sempre gratuitas, seriam muito bem vindas em centros de práticas de esporte.
São necessários aos bairros que se criem áreas específicas para esportes

contemporâneos e radicais. Reconfigurar a lógica da polícia militar. Mesmo entendendo
seu papel, sua organização precisa ser desmilitarizada, com garantias de que os policiais
recebam treinamento cidadão e em direitos humanos, com destaque para a prevenção e
não para a repressão. Garantir que as políticas públicas para a juventude já existentes
sejam divulgadas, em especial aquelas voltadas à produção artística e cultural. Garantir
que a lei de incentivo à cultura do município funcione corretamente e que priorize ações
que valorizem a diversidade e a cultural popular. Esta juventude precisa que a escola
entenda a realidade da juventude. Seus currículos devem se iniciar por essa compreensão
e os profissionais da educação precisam de formação adequada. As juventudes de
Teresópolis também querem Feiras. Precisam ser criadas freiras de cultura e arte e as que
existem precisam ser revistas. A Feirinha do Alto, por exemplo, deve ser revista e
adequada às exigências da juventude. Os transportes coletivos e públicos precisam ser
adaptados em sua totalidade para a inclusão. Além disso a política de transporte não deve
se limitar à isenção de ISS, precisa ir mais longe e garantir que não se cobre mais tarifas.
Finalmente, estas políticas precisam ser acompanhadas e fiscalizadas por Centros de
Defesa em Direitos Humanos. Eles são estruturas descentralizadas, formadas por equipes
multidisciplinares de defensores públicos, assistentes sociais e psicólogos por exemplo.
Além de garantir a realização das diversas políticas públicas no local, estes centros
fornecerão toda a sorte de informações demandadas pela população.


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