Educação, Desenvolvimento e Cerveja

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Por Rodrigo Cosenza

Por duas vezes, nas edições dos dias 28 e 30 de maio, o memorialista e articulista do Jornal O Diário de Teresópolis, Wanderley Peres escreveu em sua coluna sobre um possível interesse do prefeito Vinícius Claussen em utilizar as dependências do CIEP da Barra, o CIEP José Olímpio, para fazer do local uma “escola de cerveja”. A despeito do papel da prefeitura em fazer ou não a tal “escola da cerveja” creio que vale pensarmos sobre prioridades e visão de médio e longo prazo.

No prédio que hoje abriga a FAETEC, mais precisamente o CETEP, Centro de Tecnologia e de Educação Profissional, funcionava uma escola. As crianças tiveram que ser redistribuídas nas demais escolas da região. Houve mobilização de alunos, pais e professores para que se pensasse outro local, mas não tiveram êxito. É preciso diálogo com a comunidade para elaborar e executar políticas públicas.

Ressaltamos a importância de cursos técnicos, de fato, algo que realmente poderia impulsionar um grau de qualificação e maiores perspectivas de trabalho para as pessoas, além da pressão para a elevação da massa salarial de Teresópolis. Foi muito conturbado o processo da vinda da FAETEC para que aquele espaço todo tivesse somente os cursos do CETEP. Precisamos de uma Escola Técnica (ETEC), que é o Ensino Médio com curso técnico em três anos ao mesmo tempo.

Vale o informe que desde 2011, a unidade também abriga a Escola Municipal Pastor Assis Cabral e resolver a questão dessa escola já passou da hora e é de responsabilidade direta da gestão municipal.

Há cerca de dois anos, com sérias dificuldades em seu atual Campus e a impossibilidade de diálogo com a prefeitura, a UERJ demonstrou interesse em fazer do dito CIEP seu campus, isso sem prejuízo de funcionamento da FAETEC no local. Esse movimento seria importante, pois garantiria a permanência do curso de turismo da UERJ na cidade, diga-se de passagem o melhor do Estado do Rio de Janeiro, e possibilitaria a vinda de novos cursos para o município. Com empenho da prefeitura poderíamos trazer de fato a formação técnica, sem abdicar da profissionalizante, e tornar o local um centro de formação e pesquisa, com possibilidade de trabalho integrado e oferta de ensino técnico e superior de qualidade, além de projetos de extensão com maior alcance. Para tal seria importante que se abra diálogo e se dedique esforço. Saber do desejo dos profissionais da FAETEC em permanecer no local, por exemplo.

A FAETEC, com escola técnica precisa permanecer na cidade, desejo da população e dos profissionais que lá atuam. A UERJ, com sua graduação em Turismo e sua especialização em Desenvolvimento Territorial precisam permanecer em Teresópolis. O novo campus, será por esforço dos profissionais da UERJ e dos cidadãos. O prefeito não pode ignorar essa questão. Ainda há tempo da prefeitura atuar com responsabilidade sobre a educação, com planejamento público.

Sobre a questão da dita “escola da cerveja”, vale dizer que estimular uma diversificação produtiva no município é muito importante, mas podemos fazer uma discussão mais qualificada se trouxermos os produtores locais de cerveja para contribuir com a verdadeira formação de um polo produtor, com variedade, foco nos produtores caseiros e artesanais e aí sim, estabelecendo parcerias e uma agenda que possa conciliar eventos com os produtores locais, outros eventos com locais e vindos de outras regiões e por fim, cursos e palestras. Valeria inclusive saber o percentual de participação dos produtores locais nos últimos eventos ocorridos para saber se de fato a coisa caminha para a formação de um polo cervejeiro.

Retomando a questão central, temos a oportunidade de dar um passo importante para o desenvolvimento de Teresópolis e ele passa pela UERJ e pela FAETEC. Cuidar da formação, da pesquisa e da extensão universitária no município permitirá a formação de um corpo profissional mais qualificado, a elaboração de projetos mais bem pensados e o real desenvolvimento do município. Levar o campus da UERJ para o CIEP da Barra e trazer efetivamente a educação técnica para Teresópolis e pensa-las numa atuação de parceria é pensar grande e pensar num real legado. Efetivando isso, pode-se abrir uma cerveja caseira teresopolitana para comemorar.

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2 comments

  1. Excelente análise e propostas Rodrigo. Penso que o prefeito gestor não tem habilidade técnica para chegar a estas conclusões sozinho mas ele pode ser humilde para pedir por ajuda e nada melhor do que solicitar ajuda daqueles que serão impactados com a questão.

  2. Obrigado, Diniz!
    Tentei fazer uma análise que encaminha algumas soluções que julgo adequadas, mais que isso, necessárias pra Teresópolis.


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